sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dúvidas são chances de mudar os olhos

A dúvida, é uma vírgula, antes do aposto da vida
É uma compensação por podermos escolher
É justo...

Só não é justo que o texto já venha editado
Antes mesmo da gente escolher um objeto direto
Antes ainda que as estrofes se componham

Antes mesmo de recitá-lo em primeira pessoa...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lobotomia

Se todo mundo é lobo por dentro
E se todo lobo é solitário
E se toda solidão é preciso
E se a precisão vem da falta
E se a falta vem todo dia
Quem soubesse me diria
Se o lobo da gente é manso
Ou se ele morde por medo
Pois todo medo vem do verbo
Que a gente mesmo
Esquece de conjugar...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pós-Moderno em Curso

Me encontro sempre nas outras coisas
Nos detalhes
Estou sempre na confusão de todas as coisas
Sou narrador da minha trova
E o diretor é o mundo

É engraçado como no mesmo mundo sempre há trânsito
A inconstância me puxa pelas mãos
Me divide em diversas ondas e freqüências
E como de certo, uso o rádio do acaso e logo me sintonizo

Às vezes a calma vence o esforço
Envelheço
E aproximo os extremos de mim mesmo
A isso chamam de experiência
Que posso eu contra isso?

Quando muito seguro
Engulo os olhos pra dentro da boca
E calo minha própria cegueira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A mordida

Um orador nato começa seu discurso com medo da audiência
Ela odiava isso!
Ela era esquentada,
Parecia ter a cabeça vermelha
Se ela fosse ruiva,
Seria só uma saída, não uma resposta

Um dia cortou os cabelos
E com eles pintou a vida
Foi um dia difícil...

Ela ficou outra
Ela até mordeu sua própria raiva
E foi tão forte
Que nenhum sentimento queria ficar perto dela
Na verdade
Ela só tinha como amigos
Uma Dúvida e um Segredo

A dúvida ela não me disse
E o Segredo?

Ela o desenhou num sorriso bem medido
Que me salva todos os dias

São provocações

Ela ficou bem pequena
assim do tamanho de um alfinete
do mesmo alfinete que a furava
e queria costurar uma vida de retalhos
Sobras! Era isso que lhe deixavam
Eram provocações de todos os lados
Não bastasse isso lhe deram fôlego
Calculadamente
Com porcentagens
Share e todo tipo de providência premeditada
Eles a mediam tão bem!
Eles sabiam sua comida predileta
O nome do seu cachorro
E o endereço do seu sonho
Pronto! Eles sabem...
Ela se conforta em saber
que tem o apoio de um vale-alimentação
Ela só não sabe que esse vale
Vale pouco
E alimenta só o seu medo
Até que ela acordou de repente
Quis ser ouvida, gritou, chutou e até fez guerra
E Quando quis revidar, lhe disseram
Assim não!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O Aquário

Um aquário bem feito
Medido com bons palmos e boas mãos
Não deixa perceber nada além dele
E se tiver um castelinho então.... Pronto!
Já tem uma vida toda pra entreter

Mas e se eu gritasse para o peixe
- Ei amigo! Pule fora dessa! Você já viu o tamanho desse vidro?

Certo dia, munido de toda solidão de um domingo eu arrisquei
Gritei como pude
E a resposta que obtive?
"Ploc!"
Pobre peixe!
Nunca vai saber como é grande a minha caverna

Ode à Galileu

Se queria um compasso
Me deram uma luneta
Que raios! Como posso me divertir a valer com isso?
Simplesmente não posso!
Se bem que tem lá a sua utilidade...
Vai ver é só calo de sapato novo
Vai ver nem gosto tanto de geometria aeroespacial
Mas poxa vida! Os redondos ficam tão mais redondos dentro do compasso
Mas foi com a luneta que arredondaram a terra...